
Cinema na terra da soja: o eterno caso de amor e ópio
Núcleo incentivará a produção e a discussão de cinema local
Por Anderson Antikievicz Costa
Cineasta por obrigação é difícil de encontrar. Quem faz cinema é porque é apaixonado por essa arte (muito apaixonado). O Gazeta ALT, caderno de jornalismo narrativo e cultural da Gazeta do Paraná também é. Por isso, desenvolveu o projeto sem fins lucrativos Núcleo Gazeta ALT de Cinema, que tem por objetivo incentivar e promover o estudo e a produção cinematográfica na cidade de Cascavel e região.
A primeira ação do Núcleo, que conta com a participação da Semuc (Secretaria Municipal de Cultura de Cascavel), do Sesc (Serviço Social do Comércio), e da Baiacu (Bando Independente Associação Cultural), é a documentação do cinema de Cascavel, com o registro notícias, textos, imagens, vídeos e dos próprios filmes locais.
Todo esse material começa a ser disponibilizado gratuitamente ao público hoje, em um blogue vinculado ao site do caderno ALT (www.gazetaalt.com). Conforme o volume de material for crescendo, o suporte mudará e culminará na publicação de um livro.
O ponto de partida dessa documentação é a digitação de um significativo volume de notícias já localizadas, que dizem respeito à produção e lançamento de filmes em Cascavel desde o início da década de 1990. Além disso, será feita uma profunda pesquisa no banco de dados da Gazeta do Paraná – e de outros jornais locais que permitirem a procura -.
O Secretário de Cultura de Cascavel, Alsir Pelissaro, foi receptivo à iniciativa: “Acredito que esta ação desenvolvida pelo Gazeta ALT tem muito a contribuir para o desenvolvimento cultural da sociedade, fazendo com que seja restabelecido o valor do cinema nacional, dando assim um destaque para os artistas e para o município de Cascavel”.
O cineasta e diretor de publicidade Vander Colombo também acredita na idéia: “Tal ferramenta será de extrema valia não só para recuperar o espírito que Cascavel já teve nas produções daqui, como para se vir a pensar novamente num pólo cinematográfico, cogitando nossas armas para o futuro sem cometer os mesmo erros do passado. Seja a quem já pertence a esta história ou ainda o fará, consolidar-se-ia a aspiração, tornando permanente o nome da cidade na área cinematográfica nas letras, para que seja possível mais tarde fazer o mesmo com câmeras em punho”.
Além de material textual e imagens, os próprios filmes feitos no município serão catalogados e disponibilizados ao público. O fotógrafo cascavelense César Pillati já se prontificou a colaborar com o projeto. “Possuo um número muito grande de fotografias do nosso cinema. Esse arquivo está à completa disposição do Núcleo”.
O blogue será atualizado sempre às segundas-feiras, entretanto, posts aleatórios devem preencher a semana, seja com notícias factuais sobre a produção local, seja com indicações de cinema para o público em geral.
A tríade cinematográfica: assistir/discutir/produzir
A partir do dia 24 de fevereiro, data em que o Gazeta ALT completa um ano de circulação, as atividades do Núcleo se expandem, com a formação de um grupo de discussão, estudo e produção. O projeto prevê que, a partir de palestras e oficinas, os membros aprendam lições básicas de fotografia, edição, roteiro, produção, atuação, direção e passem a produzir.
Produzir dentro da estrutura disponível e então desenvolver ações de conscientização da classe empresarial sobre a existência das leis de incentivo e sobre a importância de se investir em cultura, rompendo a maior barreira da área, que é a captação de recursos.
Sempre no barco, mesmo que afunde
O Gazeta ALT, sempre que pode, apóia produções culturais. Na área de cinema, apoiou a realização de três curtas-metragens: Sobrevivência, de Jeferson Richetti, Anderson A. Costa e Bruna Paese (com colaboração de Julliane Brita); Baunilha 8451, de Jeferson Richetti, Douglas Menegazzi e Andressa Morais; e Lili Marlene, do cineasta e diretor de publicidade Vander Colombo. Apoiou ainda a produção do documentário Ilha D’Oeste, de Jeferson Richetti, Douglas Menegazzi, Andressa Moraes, Lucas Nonose e Renan Menezes. Documentário este que é o primeiro trabalho audiovisual a discutir, de fato, as dificuldades da nossa produção.
FIM
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